Saiba sobre os cuidados no pós-operatório de cirurgia cardíaca

Especialista esclarece sete dúvidas comuns após a realização de procedimento cirúrgico

 

São Paulo, abril de 2016 – Em nosso país são realizadas aproximadamente 350 cirurgias cardíacas/1.000.000 habitantes/ano, incluindo implantes de marcapassos e desfibriladores. Esse tipo de tratamento acontece para reparar danos no próprio coração, nas artérias ligadas a ele, ou para a substituição deste órgão, no caso de transplante. A cirurgia pode ser necessária independente do sexo e em todas as idades, de crianças até idosos.

 

Conheça abaixo quais são os cuidados necessários para que o pós-operatório de uma cirurgia cardíaca seja satisfatório e sem sustos de acordo com a opinião do coordenador da Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular e coordenador das Unidades de Terapia Intensiva do Hospital e Maternidade Sino Brasileiro, Dr. Elcio Pires Junior.

 

  1. Em todas as cirurgias cardíacas a indicação de cuidados é igual? Se não, quais são diferentes?

 

A maior parte dos cuidados são semelhantes, principalmente em relação aos com a cicatrização e a realização de atividades. Porém, existem particularidades para cada pós-operatório que dependem da doença prévia, o grau de comprometimento da função cardíaca, do procedimento realizado, das doenças associadas, etc. Assim, as atenções devem ser individualizadas para cada paciente e situação.

 

  1. O que a pessoa não pode fazer e por quanto tempo?

Os primeiros 30 dias são os mais importantes, pois a maior parte da cicatrização ocorre neste período. Evitar esforços físicos, como pegar peso, subir escadas, atividade sexuais, dirigir; devem ser evitadas neste período. Pacientes submetidos à esternotomia, abertura do osso do peito, devem tomar um cuidado a mais, pois a consolidação do osso se dá em torno de 60 dias, devendo nesta fase evitar dormir de lado e de bruços.

 

  1. Como é o procedimento após o termino da cirurgia? A pessoa fica na UTI por quanto tempo?

Após o termino da cirurgia, na maioria das vezes, o paciente é encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ainda sob o efeito da anestesia, o que vai demandar a sua monitorização dos seus sinais vitais (batimentos cardíacos, ritmo cardíaco, respiração e pressão arterial continua) e manutenção da ventilação mecânica utilizada para a realização da cirurgia. Também são avaliados continuamente seu nível de consciência, se há sangramentos pelos drenos e débito urinário. Conforme o paciente vai recebendo novamente os seus sentidos ele evolui para uma maior autonomia, podendo voltar a respirar por conta própria. A média de tempo que uma pessoa no pós-operatório de cirurgia cardíaca fica na UTI é de aproximadamente três dias, podendo variar para mais, ou menos, dependendo do caso.

 

  1. Quais os sinais que deve voltar ao médico, após deixar o hospital?

Observar aumento das dores torácicas, falta de ar, alteração nas feridas cirúrgicas (como saída de secreções, vermelhidão, dor local), febre, edema em membros; todos estes são sinais de alerta e necessitam de uma avaliação do cirurgião.

 

  1. Há alimentos que devem ser evitados?

Sim, principalmente para os pacientes previamente diabéticos e com dislipidemia (aumento de colesterol e/ou triglicérides), devem evitar doces, massas, frituras e gorduras.

 

  1. É necessário algum cuidado extra após deixar o hospital, como fisioterapia, por exemplo?

A realização de uma readaptação cardio-pulmonar é essencial para um melhor pós-operatório e melhora a recuperação. A realização de sessão de fisioterapia especifica são indicadas neste período.

 

  1. Quanto tempo após a cirurgia deve-se retornar ao médico?

O paciente deve retornar ao seu cirurgião após um mês da realização da cirurgia, assim como em seu cardiologista clínico, para realizar exames pós-operatório e avaliar as medicações em uso.

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